Dica de Filme: A Duquesa

Sinopse : Georgiana Spencer (Keira Knightley) casou-se aos 18 anos com o Duque de Devonshire (Ralph Fiennes),que queria a todo custo ter um filho. Possuindo o título de Duquesa de Devonshire, logo Georgiana demonstrou sua inteligência e perspicácia perante a corte inglesa. Entretanto ela não conseguia dar ao duque um filho, com todas as suas tentativas de ficar grávida resultando em abortos ou em filhas. Isto faz com que o relacionamento entre eles se deteriore, pouco a pouco.

No longa Georgina se envolve com política – talvez para provocar o marido ou compensar sua solidão que sente em sua vida vazia e sem afeto – e faz campanha para o partido Whig, ajudando a eleger um primeiro-ministro e apoia as revoluções americana e francesa.  Tudo isso está no filme, mas nunca há algo de mais profundo da personagem. O filme é ‘baseado numa história real’, tentando, antes de tudo, obter a cumplicidade do público pela heroína sofredora. E como ela sofre, e em muitos momentos me pergunto por que ela não se separa, não busca independência, então me lembro de que as mulheres naquela época eram meras imagens para a sociedade, nada além de esposas para fazer de companhia ao lado de vossos maridos em relações sociais em bailes e para lhes dar herdeiros.

A Duquesa dirigido por Saul Dibb, faz questão de frisar com insistência o quanto Georgina foi importante para as mulheres de seu tempo, mas quando se aventura pela vida amorosa da personagem restam apenas lágrimas eternas e risos fugazes, sem muita profundidade emocional ou psicológica, o que em alguns momentos afunda a bela interpretação da Keira Knightley que mesmo em pequenos momentos faz as cenas se tornarem melhores em outros aspectos, embora me sentisse decepcionada com Ralph Fiennes, pois sou uma admiradora de seus trabalhos desde o “Paciente Inglês” e nesta longa ele deixou a desejar. Em mim cresceu um sentimento tão forte de impotência diante das cenas onde retratava a vida da Duquesa Devoshire, cujo marido Duque Wiliam Cavendish que era um homem desprovido de sentimentos humanos, que se usava de gentileza, mas com seus cachorros do que com sua esposa e filhas.

Não consigo assistir ao filme sem me sentir presa a algumas cenas, e não sentir que esta era a realidade vivida por tantas mulheres nos séculos passados que tinha que ver seus maridos traindo em suas faces e lhes obrigando a aceitar tudo sem questionar, ou exigir. Com se os seus deveres fossem apenas formas de lhes prover boas imagens sociais e filhos para herdar suas fortunas. Na cena em que ele abusa sexualmente dela, isto, me trouxe um sentimento pior ainda, de imaginar o fardo que aquelas mulheres deviam viver em suas casas, presas em castelos a mercê do esposo que tinha mais direitos do que as suas esposas, e que devia a mulher naquela época permanecer imerso a tudo e apenas fazer o que fossos esposos ordenavam, como se não fossem nada. 


Acho que meu espírito feminista não aceita pensar que vivíamos desta forma, ela era uma mulher forte, inteligente, e tinha que aceitar as imposições masculinas de que não tinha os meus direitos que um homem na sociedade. Ainda sim assisti por que amo a Keira por todos os filmes que já assisti dela, só não citarei nomes por que senão eu teria que fazer uma pagina inteiro somente falando do quando sou fã dos trabalhos dela.  O longa e ótimo, o cenário e belíssimo e os figurinos também, recomendo para quem ainda não assistiu que veja. Super-recomendado.

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