História em Leitura 02 | Travesti – Prostituição, Sexo, Gênero e Cultura no Brasil de Don Kulick

Segundo post relacionado ao tema História em Leitura, com o trabalho etnográfico do antropólogo Don Kulick que escreveu Travesti – Prostituição, sexo, gênero e Cultura no Brasil, que veio a tornar – se um livro que durante a aula de Antropologia.

Travesti, Don Kulick,Uma Garota Chamada Sam
Sinopse: Um estudo da vida cotidiana das travestis (como preferem ser chamadas) que trabalham no centro histórico de Salvador enfocando o modo como vivem, agem, pensam e falam sobre sua própria inserção na sociedade brasileira. Isso é o que vai encontrar o leitor de Travesti: prostituição, sexo, gênero e cultura no Brasil. Escrito pelo sueco Don Kulick, mestre em antropologia pela Universidade de Nova York, que teve a oportunidade um convívio prolongado com um grupo de travestis, morando e indo às ruas com elas para esperar clientes, este livro pode ser lido em diferentes perspectivas: como uma etnografia lírica e extremamente bem escrita, um ensaio teórico sobre representação corporal e subjetividade, ou uma contribuição importante à antropologia do corpo e de gênero. Além disso, o que o leitor de Travesti vai encontrar é algo raro nas obras de origem acadêmica: à medida que se avança no texto, torna-se difícil parar, como acontece na leitura de um bom romance.

Editora: Empório do Livro
Páginas: 184
Autor: Don Kulick

Don Kulick é um antropólogo sueco que veio ao Brasil para realizar o seu trabalho de campos em Salvador na Bahia, lá ele viveu durante oito meses com as Travestis de Salvador no meado dos anos 90.  Relatando a vivência de 13 delas dentro da sociedade que as colocam a margem, mas que as agridem fisicamente de maneira cotidiana, e Kulick faz questão de trazer um olhar humanizado sobre seu trabalho, ao relatar cada detalhe, até o mais intimo da convivência com as travestis de Salvador.

Abordando questões de gênero e classe, com uma escrita que apesar de ser um estudo antropológico de Kulick, o leitor consegue adentra na escrita facilmente, ele utiliza – se de uma linguagem fácil, bem fluida sem grandes discussões teóricas, onde em muitos momentos me sentia lendo páginas de um livro literário, mas que carregava a intimidade vivida de 13 pessoas reais, e que Kulick fez questão de enfatizar essa questão. Embora para um antropólogo, eu devo dizer que senti falta justamente da discussão um pouco teórica sobre a teoria de gênero, sobre o que significa ser travesti nesse contexto.

“Ao contrário, há um consenso fortemente estabelecido entre as travestis de Salvador: para elas, qualquer travesti que se diz ou se considera mulher tem problemas mentais. Travesti não é mulher e não pode ser mulher, dizem umas às outras, porque Deus as fez homens.”


Mas ainda sim, a leitura de Travesti – Prostituição, sexo, gênero e Cultura no Brasil e algo maravilhoso, pois nos permite conhecer e obter outro olhar, sendo assim, uma excelente leitura para quem deseja se aprofundar um pouco mais e conhecer um trabalho etnográfico diferente trazido por Don Kulick, que consegue através da narrativa das próprias Travesti, oferecer um trabalho rico, e excelente não somente pela linguagem, mas também pelo excelente conteúdo que ele aborta em seu trabalho de campo que ganhou vida através da publicação de Travesti. 

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