Escolhas feitas, sonhos perdidos | Poesia de Quinta


Me pergunto todos os dias se fiz a escolha certa, se largar tudo valeu a pena e todas as vezes a resposta e sempre a mesma, não. Eu não estava preparada, não devia ter sacrificado tanto, por algo incerto. Por algo que pode não resultar em nada, onde posso terminar como no princípio sem um rumo.

Sem qualquer horizonte, um barco à deriva, apenas navegando sem um destino e me perguntando como cheguei aqui, como posso retornar. Talvez meu barco esteja velho demais, ou minhas esperanças esgotadas. Não sei, mas minhas escolhas parecem me cobrar um preço alto demais.

Estou sufocando, morrendo a cada novo dia e o pior... Em silêncio. Sem qualquer pessoa que possa me salvar, mas como me obter, se nem eu mesma me tenho mais. As vezes queria acordar e tudo ter voltado ao começo, nove anos uma menina prestes a ter sua vida mudada, mas que, a partir dali saberia o que não fazer mais. Mas não tenho mais nove anos, e tampouco posso voltar no tempo.

Talvez eu esteja esperando demais, desejando, ansiando por coisas que podem nunca acontecer, por pessoas que podem não vir a estar. Eu não sei mais como ser, quem eu gostaria. Eu me olho no espelho e nem sei mais, se sou quem costumava ser, e ainda há tanto para viver. Porém a cada dia, me foge as forças para lutar e como se cada vontade minha fosse esgotado por horas onde nada acontece. Continuo no mesmo lugar, pessoas continuam não sendo mais do que pessoas e a minha vida não movimenta, não cria espaços e as paredes sufocando a cada respiração.

O preço foi alto demais, duro para uma garotinha, ela era cheia de sonhos, mas nenhum nunca veio a se realizar. Ela está presa, suas asas quebradas, parece que sonhos não constroem realidades, não para ela.  


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